quinta-feira, 28 de julho de 2011
Formação e Informação: Despejo anunciado de 300 famílias sem-casa causa d...
Formação e Informação: Despejo anunciado de 300 famílias sem-casa causa d...: "Una - BA 28 de julho de 2011 Nota de repúdio ao despejo de 300 famílias sem-casa em Itabira. Em defesa da dignidade humana dos pobres de ..."
terça-feira, 26 de julho de 2011
Formação e Informação: SITUAÇÃO DAS FAMÍLIAS SEM TETO DE ITABIRA "Carta a...
Formação e Informação: SITUAÇÃO DAS FAMÍLIAS SEM TETO DE ITABIRA "Carta a...: "Una - BA 26 de julho de 2011 Em 01/08/2011, 300 famílias sem-casa, em Itabira, MG, serão despejadas? Será um mar de dor, de lágrimas, de ..."
segunda-feira, 25 de julho de 2011
OPÇÃO PREFERENCIAL
SITUAÇÃO DAS FAMÍLIAS SEM TETO DE ITABIRA
A Dom Odilon e demais padres apoiadores das famílias sem teto
Enquanto Diocese, também na pessoa do bispo diocesano, assumimos uma posição de apoio ao movimento dos sem teto de Itabira, com ordem de despejo previsto para o dia 01 ou 02 de agosto. Sendo a Diocese uma apoiadora, vejo que tenho a obrigação de dar alguns informes necessários para o momento e fazer um pequeno relato da situação:
1) No dia 24 de abril, numa celebração ecumênica na Comunidade de Drummond com a presença de Frei Gilvander, e nós (Dom Odilon, Pe. Cléverson e Pe. José Geraldo), demos a nossa palavra de apoio ao direito de moradia destas famílias;
2) No dia 25 de abril houve uma reunião na Prefeitura de Itabira com o Prefeito, alguns secretários, nós da Diocese (bispo) e algumas pessoas do movimento para conversar sobre a situação dos moradores, onde foi formada uma comissão para encaminhar uma saída justa para os moradores. Eu estava nesta comissão. Posteriormente, Pe. Hideraldo se integrou à mesma;
3) No decorrer de 2 meses tivemos várias reuniões, porém sem nenhuma decisão concreta, apenas propostas vagas por parte do pessoal da Prefeitura, não assumindo as mesmas nos momentos de decisão. Falaram: “Eram apenas carta de intenções”;
4) Como o despejo tinha data marcada para o dia 15 de maio, tivemos que marcar reuniões com as autoridades competentes: comandante da PM, juiz da 1ª Vara Cível, etc, o que prorrogou o despejo para o fim de julho;
5) O que pedimos à Prefeitura: desapropriação da área em questão, mantendo as moradias já construídas ou disponibilização de terreno para reconstrução de outras moradias em regime de mutirão. Mesmo podendo fazer isto, ambas propostas foram rejeitadas pela Prefeitura, que por sua vez ofereceu apenas abrigo para as famílias e bolsa moradia (insuficiente para atender a todos os moradores, isto se conseguir espaço, o que não tem certeza). É um paliativo. “Ou aceitam abrigo ou vão para a rua: tem outra alternativa”? perguntou alguém da Prefeitura. Abrigo se caracteriza como algo muito desumano; é como um depósito de gente. Pela proposta, muitas famílias vão para a rua. Faltando apenas 8 dias para o despejo, não há nenhuma segurança para as famílias;
6) Como apoiadores do movimento não podíamos aceitar estas “ofertas bondosas” da Prefeitura, por questão ética, moral e por questão de humanidade. Muitos pais não querem expor suas filhas adolescentes num espaço misturado com outras pessoas...;
7) Por quê do despejo? Há loteamentos atrás do Bairro Drummond e projeto para um condomínio de luxo, cujos donos têm uma grande influência na Prefeitura. Os “sem terra” é uma “favela” que fica no meio e que desvaloriza estes terrenos, e que devem ser retirados daquele local. Só com a decisão de despejo, estes terrenos tiveram de imediato uma valorização de 100%. O lucro com o despejo será enorme, favorecendo muita gente grande. Possivelmente, o processo para o despejo (advogados, etc) estejam sendo pagos por estes que vão lucrar. Neste sentido a especulação imobiliária e os apoios políticos falaram mais alto. Trocam vidas por dinheiro. É uma forma de compensar os compromissos com a elite de dinheiro. Daí podermos concluir a quem interessa este maldito despejo;
8) No decorrer de 2 meses, o pessoal do poder e a elite local falaram mal dos sem terra, com expressões: “são aproveitadores, não querem trabalhar, lá está cheio de drogados e traficantes, etc”. E ainda, “a maioria que está lá não precisa”. Com estes comentários, quem vai alugar algum barraco para estas pobres famílias? No entanto, no cadastramento da Ação Social (15/07/11) das 296 famílias diagnosticadas, poucas famílias ficam fora da assistência ou não se enquadram dentro dos critérios da Assistência Social. A conclusão: a maioria é muito pobre;
9) Trata-se de uma extrema pobreza. Nem trabalho querem dar para as pessoas de Drummond. Eu que estou mais de perto vejo um quadro desolador. Não consigo imaginar as conseqüências do despejo, ainda mais se houver resistência. O comando da PM já solicitou “plantão” do Pronto Socorro Municipal, já oficializou à Cemig e SAAE para cortarem a água e a energia, e certamente vai fazer uma operação de guerra do dia 01 para o dia 02 de agosto no Bairro Drummond. Não consigo medir o tamanho desta desgraça para estas pessoas: idosos, gestantes, crianças.. e não consigo medir o tamanho do problema social pós despejo;
10) Para um despejo deste tipo, há uma lei estadual que fala “da necessidade de uma comissão especial, encabeçada pelo governador do Estado, para acompanhar a desocupação da área”. Isto está sendo ignorado pelas autoridades locais;
11) Enquanto Diocese (bispo e padres), além do que já fizemos, o que ainda podemos fazer? Deixar acontecer para ver como fica? Lavar as mãos? Isto não nos interessa? Ou vamos nos posicionar com mais firmeza?
12) Por fim, temos que reconhecer o apoio explícito de uma dezena de padres e outros que apoiaram indiretamente, e o apoio de uma centena de leigos das 3 regiões pastorais, o que identificou a Diocese como uma forte apoiadora e defensora do direito destas famílias.
Como padre, defensor do direito à moradia para todos, e que nestes 90 dias de agonia junto a esta pobre gente, depois de ficar 12 dias em jejum, expondo-me e assumindo riscos desta minha postura, sendo hostilizado pela elite e pelo pessoal do poder,... Com muito respeito, sinto-me no dever e no direito de colocar estes pontos, esperando a compreensão do nosso pastor (Dom Odilon) e colegas padres, pastores que somos junto ao Bom Pastor. Não estou defendendo interesse pessoal e “pedindo socorro” para mim, mas faço um apelo em favor destas pessoas que estão “como ovelhas sem pastor”. Estou me desgastando por causa de uma opção evangélica. Certamente, mesmo que não consiga reverter a situação, como pastores, nós podemos dizer com a consciência tranqüila: “Fizemos a nossa parte, não ficamos omissos”.
Na comunhão eclesial e na missão
Pe. José Geraldo de Melo
ALERTA, ACENDEU-SE A LUZ VERMELHA
SITUAÇÃO DAS FAMÍLIAS SEM TETO DE ITABIRA
CARTA À SOCIEDADE
Enquanto Diocese de Itabira/Fabriciano, assumimos uma posição de apoio ao movimento dos sem teto de Itabira, com ordem de despejo previsto para o dia 01 ou 02 de agosto. Sendo a Diocese uma apoiadora, damos alguns informes necessários para o momento e fazemos um pequeno relato da situação:
1) Desde o dia 25 de abril, quando houve uma reunião na Prefeitura de Itabira com o Prefeito, alguns secretários, nós da Diocese (bispo e padres) e alguns representantes dos moradores, foi formada uma comissão para encaminhar uma saída justa para a situação. Eu estava nesta comissão representando a Diocese;
2) No decorrer de 2 meses tivemos várias reuniões, porém sem nenhuma decisão concreta, apenas propostas vagas por parte do pessoal da Prefeitura, não assumindo as mesmas nos momentos de decisão. Falaram: “Eram apenas carta de intenções”;
3) Como o despejo tinha data marcada para o dia 15 de maio, tivemos que marcar reuniões e audiências com as autoridades competentes: comandante da PM, juiz da 1ª Vara Cível, etc, o que prorrogou o despejo para o fim de julho;
4) O que pedimos à Prefeitura: desapropriação da área em questão, mantendo as moradias já construídas ou disponibilização de terreno para reconstrução de outras moradias em regime de mutirão. Mesmo podendo fazer isto, ambas propostas foram rejeitadas pela Prefeitura, que por sua vez ofereceu apenas abrigo para as famílias e bolsa moradia (insuficiente para atender a todos os moradores, isto se conseguir espaço, o que não tem certeza). É um paliativo. “Ou aceitam abrigo ou vão para a rua: tem outra alternativa”? perguntou alguém da Prefeitura. Abrigo se caracteriza como algo muito desumano; é como um depósito de gente. Pela proposta, muitas famílias vão para a rua. Faltando apenas 1 semana para o despejo, não há nenhuma segurança para as famílias;
5) Como apoiadores do movimento não podíamos aceitar estas “ofertas bondosas” da Prefeitura, por questão ética, moral e por questão de humanidade. A maioria dos moradores rejeita esta decisão da Prefeitura. Alguns aceitam porque são obrigados;
6) O porquê do despejo? Há loteamentos atrás do Bairro Drummond e “projeto para um condomínio de luxo”. Os “sem terra” é uma “favela” que fica no meio e que desvaloriza estes terrenos, e que devem ser retirados daquele local. Só com a decisão de despejo, estes terrenos tiveram de imediato uma grande valorização. O lucro com o despejo será enorme, favorecendo muita gente grande. Neste sentido a especulação imobiliária e a ganância falaram mais alto. Trocam vidas por dinheiro. O despejo é uma forma de compensar os compromissos com a elite de dinheiro. Daí podermos concluir a quem interessa este maldito despejo;
7) No decorrer de 2 meses, o pessoal do poder e a elite local falaram mal dos sem terra, com expressões: “são aproveitadores, não querem trabalhar, lá está cheio de drogados e traficantes, etc”. E ainda, “a maioria que está lá não precisa”. Com estes comentários, quem vai alugar algum barraco para estas pobres famílias? No entanto, no cadastramento da Ação Social (15/07/11) das 296 famílias, poucas famílias ficam fora da assistência ou não se enquadram dentro dos critérios da Assistência Social. A conclusão: a maioria é muito pobre;
8) Trata-se de uma extrema pobreza. Até trabalho é difícil para as pessoas de Drummond. Vejo nisto um quadro desolador. Não consigo imaginar as conseqüências do despejo, ainda mais se houver resistência. O comando da PM já solicitou “plantão” do Pronto Socorro Municipal, já oficializou à Cemig e SAAE para cortarem a água e a energia, e certamente vai fazer uma operação de guerra do dia 01 para o dia 02 de agosto no Bairro Drummond. Não consigo medir o tamanho desta desgraça para estas pessoas: idosos, gestantes, crianças. Não consigo medir o tamanho do problema social pós despejo;
9) Para um despejo deste tipo, há uma lei estadual que fala “da necessidade de uma comissão especial, encabeçada pelo governador do Estado, para acompanhar a desocupação da área”. Isto está sendo ignorado pelas autoridades locais. É preciso informar à sociedade. E neste sentido, a mídia tem colaborado imensamente;
A sociedade não pode ficar alheia neste momento. Às vezes é preciso se posicionar, tomar consciência da situação que é grave. Certamente, mesmo que não consiga reverter a situação, pelo menos nós podemos dizer com a consciência tranqüila: “Fizemos a nossa parte, não ficamos omissos”. E que Deus nos abençoe!
Movimento dos moradores do Bairro Drummond
Diocese de Itabira/Fabriciano Região Pastoral 1 (Pe. José Geraldo)
quarta-feira, 13 de julho de 2011
Pela preservação da Pureza e no encalço da eficácia do mandato Legislativo
As discussões iniciaram no face book, importante ferramenta de alcance social imediato, e ganharam adesão de um número considerável de internautas que começaram a postar comentários críticos a respeito da decisão de vereadores da “base aliada” em aprovar sem ressalvas que se alterasse o Plano Diretor da cidade no tocante ao perímetro urbano de uma área denominada, Manancial Pureza, responsável pelo abastecimento de 55% de água da cidade. Evidenciou-se desde então, a necessidade de se fazer algo que fosse relevante e mostrasse a indignação para com a atitude tão prejudicial a um número considerável da população de Itabira dada a dimensão do alcance dessa decisão equivocada dos vereadores, levando em consideração que o consumo de água na cidade, é igual ao que se produz.
Para os vereadores que votaram favoráveis a que se permitisse a urbanização da Pureza parece ter faltado um arroubo de consciência ambiental e deu a entender que focaram apenas o aspecto econômico, já que com a permissão de mudanças no perímetro urbano, a especulação imobiliária entraria com considerável apetite e ocuparia em curto período de tempo toda uma extensão de um local que jamais deve ser objeto de permuta para abrigar moradias ou qualquer outro empreendimento
.Só não contavam com a reação dos internautas e estes foram decisivos para demover o prefeito e fazê-lo vetar o projeto que, voltando para a Câmara, recebeu parecer favorável ao veto dos que antes, apoiavam abertamente mudanças no Plano Diretor, o que não deixou de ser uma decisão bastante inteligente e de comprovada faceta ecológica, por garantir a preservação do manancial em seu estado natural e com suas dimensões originais no presente e para o futuro.Saímos às ruas no sábado a tarde, descemos a avenida principal da cidade rumo a porta da prefeitura com nossas faixas, cartazes, panfletos, apitos, microfone em punho, demos nosso recado de forma pacífica, para um público que mesmo não sendo grande por ser fim de semana se mostrou receptivo ao que apresentamos o que permitiu mostrar como é necessário acompanhar o comportamento daqueles que estão em cargos públicos para representar-nos, mas tal representação tem de ser coerente na prática e conteúdo, revelando bem mais os benefícios de se ter e lidar com o poder para atender a maioria e não o contrário.
O que se espera agora é que aprendida a lição de que quando decisões que afetam uma maioria devem ser amplamente discutidas e tratadas às claras. Possa os vereadores ouvir mais quem neles confiou o voto para realizarem ações verdadeiramente benéficas e de alcance social relevante, que se atenham a representar bem para serem menos cobrados quando por interesse próprio ou de grupos, ferem o princípio da subsidiariedade mostrando desprezo pelo coletivo, pela cidadania responsável e pelo interesse público.
(Afonso C. Damasceno Comissão Justiça e Paz Diocese de Itabira Coronel Fabriciano)
Sinais dos Tempos
Sinais dos tempos aqui em Itabira que apresentam atitudes que precisam permanentemente continuar a serem exercidas, me vem a memória neste momento que digito a lembrança de como a questão ambiental esteve de uns tempos para cá sendo tratada pela Igreja junto à sua base compreendida entre leigos, lideranças e agentes de pastorais. É válido expor para demonstrar que a atitude desenvolvida por um número considerável de cidadãos itabiranos nada mais foi que endossar o que se espera de um cristão cumpridor de uma prática religiosa voltada para o seu dia a dia, extra paredes do templo.
Vamos ao resgate: Campanha da Fraternidade 1979 -“Preserve o que é de todos”. Objetivo Geral: Basicamente a ecologia conclama todos a uma nova mentalidade. Trata-se de superar o egoísmo, a ganância de possuir mais a qualquer preço. Trata-se de ser escrupulosamente preocupado em preservar e conservar o ar, a água, a flora e a fauna que são elementos necessários ao próximo. Trata-se de readquirir o carinhoso respeito e a contemplativa admiração em face às belezas da natureza. 2002 - “Por uma terra sem males”. Objetivo Geral: Motivar a conversão das pessoas, da sociedade e da própria Igreja para a solidariedade, a justiça, o respeito e a partilha, dando especial destaque, desta vez, aos povos indígenas. É um convite a todos os cristãos para engajarem-se na esperançosa luta pela conquista e garantia dos direitos dos povos indígenas. É também uma oportunidade para compartilharmos valores, sabedoria, conhecimentos e formas de ver a realidade. Ao refletirmos sobre a causa indígena, vamos assumir um compromisso concreto com suas lutas, em defesa de suas identidades étnicas, “suas organizações sociais, costumes, línguas, crenças e tradições, e os direitos originários sobre as terras que tradicionalmente ocupam.” (Const. Brasil. art. 231). 2004 - “Água, fonte de vida”. Objetivo Geral: Conscientizar a sociedade que a água é fonte da vida, uma necessidade de todos os seres vivos e um direito da pessoa humana, e mobilizá-la para que este direito à água com qualidade seja efetivado para as gerações presentes e futuras. 2007- “Vida e missão neste chão”. Objetivo Geral: Conhecer os valores e a criatividade dos povos da Amazônia e as agressões que sofrem por causa do atual modelo econômico e cultural, a fim de chamar à conversão, à solidariedade, a um novo estilo de vida e a um projeto de desenvolvimento humano baseados nos valores humanos e evangélicos, seguindo a prática de Jesus no cuidado com a vida humana ,especialmente dos mais pobres, e de toda a natureza. 2011- “A criação geme em dores de parto” (Rm 8,22). Abordar a Fraternidade e Vida no Planeta e contribuir para a conscientização da comunidades cristãs e pessoas de boa vontade sobre a gravidade do aquecimento global e das mudanças climáticas, e motivá-las a participar dos debates e ações que visam enfrentar os problema e preservar as condições de vida no planeta. No desenrolar da “maquiagem” que deram ao Plano Diretor durante o processo de discussão de algumas mudanças que acabaram por acontecer à contra gosto de muitos cidadãos que sequer tiveram oportunidade de opinar. Uma das emendas ao Plano causou uma reação à parte, a de número 6, de autoria do próprio líder do governo no Legislativo e se tornou, das mais espinhosas e que provocou algumas espezinhadas nos membros da Casa Legislativa e no Chefe do Executivo.
A que tratou da intenção de se alterar o perímetro urbano da região responsável por 55% do abastecimento de água na cidade denominada, manancial pureza. Uma série de trapalhadas e desencontros na interpretação da conveniência ou não de se levar adiante a aprovação da lei, levou os edis a um erro que apesar de corrigido mais tarde, os expôs ao olhar crítico da população que raramente se mostra insatisfeita de forma tão veemente como se viu desta vez. Foram e-mails, discussões em redes sociais, blogs, comentários, telefonemas, organização de manifestações silenciosas e até mesmo as explícitas, que ganharam as ruas numa clara demonstração de insatisfação, pressão e cobrança para que os vereadores e o próprio prefeito refletissem a conseqüência de se levar adiante uma decisão que viesse a comprometer o fornecimento de água na cidade e a qualidade de vida de inúmeros cidadãos em detrimento de atender a interesses particulares e a especulação imobiliária. Um fato interessante neste processo que culminou no veto de autoria do prefeito municipal ao Projeto de Lei nº 82/2010: inciso IV do seu art. 1° e aos Anexos XII e XII do seu art 2° com parecer favorável de todos os vereadores foi sem sombra de dúvidas, a pressão popular.
Um VIVA AO POVO ITABIRANO, é o começo de uma nova forma de encarar os políticos que não pode ser deixada de lado com pena de perdermos literalmente o Trem da história.
Afonso Cláudio Damasceno – Secretário administrativo da Comissão Justiça e Paz da Diocese de Itabira Coronel Fabriciano.
segunda-feira, 4 de julho de 2011
Dia da Diocese numa perspectiva Missionária e Sócio Transformadora
Comemorou-se na cidade de Nova Era, Minas Gerais, o dia da Diocese como um espaço privilegiado onde as três regiões pastorais se congregam num grande ambiente celebrativo no qual se expressa a unidade de seus membros, ainda que haja diversidade e se evidencie a riqueza dessa peculiaridade , a abrangência da diocese compreende 24 municípios, numa área total de 8.749,8km2 e uma população estimada pelo Censo/2009 em 810.257 habitantes. Sem contar que é uma região carregada de promessas e desafios, bastante diversificada, pelas macro-industrias de ferro, aço e celulose, com forte característica rural. Os contrastes são visíveis no tocante ao aspecto econômico: uma região rica, mas com faixas populacionais extremamente pobres, carentes de infra-estrutura mínima no tocante à sobrevivência. Existe uma polarização nos municípios que fazem parte da diocese no tocante às companhias de extração de ferro e madeira. Itabira, Rio Piracicaba e São Gonçalo do Rio Abaixo: “Vale”. João Monlevade: “Arcelor Mittal Aços Longos Brasil S/A. Timóteo:Arcelor Mital Inox Brasil S/A. Belo Oriente: Celulose Nipo-Brasileira(Cenibra). Ipatinga: Usiminas. Dionísio, São José do Goiabal e Timóteo:Arcelor Mittal Florestas. Essas grandes empresas, são responsáveis pela maior parte da arrecadação e pela oferta de empregos nestes municípios onde atuam, e detêm o controle social, político e ideológico local.
No campo social, permanecem graves problemas como: empobrecimento de significativa parcela da população; luta pela terra, compreendendo a resistência, a conquista e a permanência das pessoas no campo; falta de moradia nos centros urbanos e tensões pela garantia de um espaço para se habitar, desintegração familiar e aparecimento de novos modelos familiares surgidos principalmente a partir dos que são veiculados nos MCS; aumento da prostituição, envolvendo também adolescentes; violência urbana, agravada pela violência e arbitrariedade policial; aumento do tráfico e consumo de drogas; manipulação político eleitoral, que favorece a corrupção e o mau uso dos recursos públicos; desvalorização da cultura e religiosidade popular em função de uma cultura urbana de massa e de uma religiosidade de inspiração pouco ou nada comprometida com a transformação social, mas mais voltada para o subjetivismo e individualismo.
Frente a toda essas forças contrárias tem-se uma realidade eclesial pela qual direcionou-se os esforços de seus líderes hierárquicos e suas lideranças leigas desde a criação no ano de 1965, pela Bula Haud Inani do Papa Paul VI, tendo como seu primeiro bispo, Dom Marcos Antônio Noronha, empossado a 29 de dezembro que antes de assumir a Diocese participara, em Roma, da última sessão do Concílio Ecumênico Vaticano II e da 7ª Assembleia Geral Extraordinária da CNBB e vislumbra-se com isso uma nova consciência de Igreja: Igreja realidade viva,a Berta às alegrias e sofrimentos, às angústias e esperanças dos homens e mulheres de nosso tempo, voltada para o futuro. “É preciso sair da Igreja – Templo e ir ao encontro da Igreja povo. É preciso ir aos bairros, ir a todas as cidades da diocese e construir, com o povo, a Igreja do povo” – palavras dele. Passada essa fase Dom Mário Teixeira Gurgel-SDS, toma posse a 18 de junho de 1971, e em 1976, Dom Lelis Lara-CSSR, é ordenado bispo auxiliar para atuação conjunta , momento em que se evidencia critérios e são criadas e fortalecidas estruturas e instrumentos e ação pastoral. Há consciência da situação de injustiça em que vivem os povos de nosso continente e compromisso com a libertação dos mesmos. Tem –se a preocupação com a Pastoral de Conjunto, como exigência de unidade e pluralismo na Igreja de Itabira. Há uma serie de avanços: as Comunidades Eclesiais de Base – CEBs, as Pastorais Sociais como compromisso com a transformação das estruturas sociais na organização do povo na luta por seus direitos, na formação de lideranças cristãs capazes de atuar e influir nos movimentos populares, sindicatos, partidos políticos comprometidos com a luta popular. A finalidade e método das Pastorais Sociais,não escapou ao longo desse tempo da incompreensão e questionamento, dentro e fora da Igreja: visto que partidos e grupos da direita tem noção da força sua transformadora, por outro lado, há também os grupos de esquerda que procuram instrumentalizá-las.
Isto não exclui o horizonte da dimensão política da Fé e a ação pastoral nas comunidades orienta-se por critérios bem claros, as comunidades devem ser suficientemente vivas e atuantes, para gestar leigos e leigas com vocação para a militância partidária e para o exercício de cargos políticos e eletivos. Os bispos e padres, sem atuar na política partidária, têm o dever de ajudar e animar as comunidades nessa progressiva conscientização. Entendida como serviço ao bem comum e defesa dos oprimidos, a Política é campo da missão de todos os cristãos. Numa região de tantos contrastes e injustiças, a Diocese deseja comprometer-se, como o próprio Cristo, com as pessoas marginalizadas, excluídas de seu direito a uma vida digna. Essa opção deve continuar a nos questionar profundamente e tem de se refletir no modo de ser e agir de nossa Igreja.
Dom Odilon Guimarães Moreira, assume o pastoreio em março de 2003 e evidencia-se a valorização da caminhada anterior realizada implementando-se o Plano Quadrienal de Evangelização – quadriênio 2007-2010, reafirmada a continuidade para quadriênio 2011-2014, promovendo a Formação permanente em todos os âmbitos, as Missões como dimensão missionária desde as missões populares até as missões além fronteiras, com destaque ao projeto Igreja - Irmã e Paróquia – Irmã, Pastorais Sociais, fortalecimento e articulação Fé e Vida / Ação e Espiritualidade.
(Adaptado do Livro da Caminhada – “Discípulos e Missionários de Jesus Cristo para que n’Ele nossos povos tenham Vida”.)
Em tempos de catedrais
CARTA ABERTA de DOM TOMÁS BALDUÍNO AOS BISPOS SOBRE CONSTRUÇÃO DE CATEDRAIS.
Goiânia, GO, 18 de julho de 2008.
Queridos Irmãos no episcopado, do Regional Centro-Oeste,
A paz do Senhor esteja com vocês!
Peço-lhes licença para colocar aqui umas reflexões que venho tendo com outros colegas, inclusive dando a forma de carta. Trata-se da concepção de igreja e, de modo especial, de igreja catedral. Fui motivado sobretudo pelo fato da catedral de Goiânia ter de se mudar para uma obra que ficará próxima do atual Paço municipal, em terreno doado por Lourival Lousa, dono do Flamboyant, porém do outro lado da rodovia 153, em local de acesso difícil e distante do povão. Será então uma catedral tipo monumento moderno, atualizado, tudo bem planejado, de concepção semelhante à de Brasília, a mesma que vai se reproduzir futuramente também em Palmas. Enquanto isso, por exemplo, as chamadas catedrais da Igreja Universal do Reino de Deus, que não deixam de ser também portentosas construções, ficam bem perto do povo e se enchem de gente. O que pensar, então, a respeito de nossas igrejas? Isso também faz parte da nossa responsabilidade pastoral.
1. O sacramento do Templo na Bíblia
O Senhor nos deu um ensinamento bem preciso e nos evangelizou sobre o templo. Enquanto as nações vizinhas do Povo de Israel tinham todas seu templo, os profetas do Senhor diziam que Deus não quer templo. Deus quer acampar com seu povo nômade. Construir um templo seria traição desse caminhar de Deus com seu povo. Até mesmo quando o rei Davi quis levantar um templo, o Senhor mandou o profeta Natan lhe dizer: “Desde que Deus tirou o seu povo do Egito, sempre morou em tenda e nunca pediu templo”. (2 Sm 7,7).
Segundo Isaías (Is 66,1), Deus é aquele que o universo inteiro não pode conter. Tem o céu por seu trono e a terra como escabelo de seus pés. Como pode morar em uma casa edificada pelo homem? O problema é que, de fato, desde o começo, até hoje, o templo tem servido de legitimação do poder dos reis e dos donos do poder. Não é, pois, de graça que o rei e os poderosos dão todo apoio econômico à sua construção suntuosa e em lugar privilegiado. Por isso, os profetas sempre criticaram o templo e pediram que a fé se libertasse e fosse para além do templo.
Alguns profetas, como Isaias e Jeremias, tiveram que assumir o templo como um fato consumado, mas tiraram partido dele como lugar do ensino da Palavra, não como lugar de sacrifício. E Jesus retomou esta tradição profética. Na hora da sua prisão declarou aos seus algozes: “Todos os dias eu ensinava no templo e não me prendestes”. (Mc 14,49). O templo, com efeito, não era tradicionalmente lugar de ensino, mas sim de sacrifício. Fazer daquele lugar um lugar de profecia foi um ato crítico e subversivo.
Depois do exílio da Babilônia, os judeus fiéis se reuniam em sinagogas (casas da comunidade). Começou, então, uma tensão entre o judaísmo da sinagoga (baseado na Palavra) e o judaísmo do templo (baseado nos sacrifícios e no culto). O Cristianismo surgiu no meio do judaísmo das sinagogas e não no do templo. As reuniões dos primeiros cristãos, que marcaram a liturgia até hoje, seguiram o esquema da sinagoga, não do templo. Das sinagogas para as casas. E, de casa em casa, o Evangelho foi irradiando.
Na cena da limpeza do templo o zelo vigoroso demonstrado por Jesus não foi em defesa daquela obra feita pela mão do homem. “Ele se referia ao templo do seu corpo” (Jo 2,21) e também à morada de Deus, isto é “àquele que o ama e cumpre sua palavra” (Jo 14,23) e sobretudo ao faminto, ao sedento, ao migrante, ao nu, ao doente, ao preso, às vítimas da opressão e da exploração. (Cf. Mt 23). Jesus se proclama maior do que o templo (Mt 12,6). Ele veio construir um templo não feito por mão humana (Mc 14,58). Ao celebrar sua oblação perfeita ao Pai Ele optou por fazê-la fora do templo e fora da cidade. O templo novo é o seu corpo ressuscitado (Jo 2,20). No Apocalipse, quando é anunciada a nova Jerusalém, o autor insiste que ela não tem mais templo porque o próprio Deus é o seu templo (Ap 21,22).
2. Templos e catedrais na história da Igreja
Há um paradoxo e uma contradição no fato dos judeus, para os quais o templo se tinha tornado o sacramento da presença divina, não terem querido reconstruir o templo depois de sua destruição no ano 70, enquanto os cristãos, que receberam tantas advertências de Jesus, multiplicaram os lugares de culto.
À medida que a Igreja se incorporou ao Império e se tornou uma Igreja Cristandade, ocupou os antigos templos pagãos e os transformou em templos da nova religião oficial que era a Igreja cristã. Da Idade Média até os nossos dias, as catedrais, construídas nas praças centrais e ao lado do poder político se tornaram símbolos de uma Igreja que o Concílio Vaticano II procurou superar. Segundo a Lúmen Gentium, “Assim como o Cristo consumou a obra da redenção na pobreza e na perseguição, assim a Igreja é chamada a seguir o mesmo caminho. Cristo foi enviado pelo Pai para ‘evangelizar os pobres, sanar os contritos de coração’ (Lc 4,18), semelhantemente a Igreja cerca de amor todos os afligidos pela fraqueza humana, reconhece mesmo nos pobres e sofredores a imagem do seu Fundador pobre e sofredor” (LG nº 8). Dom Hélder Câmara, por exemplo, fiel a este novo espírito, foi na direção da periferia. Escolheu “a igreja das fronteiras” e fez das comunidades de periferia o lugar da cátedra do pastor. Dom Paulo Evaristo Arns, em 1973, vendeu o palácio episcopal e com o dinheiro construiu inúmeros centros comunitários na periferia de São Paulo, onde as Comunidades Eclesiais de Base passaram a se reunir para círculos bíblicos, celebrações da Palavra e da vida e lutar pelos direitos humanos. Mesmo em plena Cristandade, pastores como João Crisóstomo, Basílio e, no Ocidente, Ambrósio e Agostinho insistem que o verdadeiro templo de Deus e a glória da Igreja são os pobres. E João Crisóstomo fazia os pobres sentarem em sua cátedra na Igreja de Constantinopla.
A celebração dos sacramentos polarizada pelo altar, assim como a devoção e o culto dos santos polarizados pelo santuário, tornaram-se, durante séculos, a marca característica das igrejas católicas, infelizmente esvaziadas da Palavra. Inversamente, as igrejas da Reforma protestante deram um lugar primordial ao púlpito e à Bíblia, lida e assumida, com muito empenho, por todos os membros da comunidade. Foi o Concílio Vaticano II que, através das Constituições Dei Verbum e Sacrosanctum Concilium, restabeleceu o equilíbrio original entre o altar e o púlpito, valorizando a Palavra, que passou a integrar as celebrações dos sacramentos e readquiriu o lugar que ela tinha na vida da primitiva Igreja dos Apóstolos e dos mártires. Na construção das novas igrejas começaram até a aparecer soluções arquitetônicas criativas preocupadas em garantir a boa acústica, que favoreça a audição clara, para todos os participantes, de tudo o que é proclamado na liturgia.
As comunidades precisam sim de lugares para se reunirem e terem seu culto. Elas gostam que estes lugares sejam belos, dignos e venerados. Entretanto, é importante esclarecer que o templo é símbolo e sacramento da comunidade viva e deve ser o lugar da comunidade e não o instrumento do poder clerical ou episcopal, construído nos mesmos critérios dos templos que antigamente legitimavam o domínio dos poderosos do mundo.
“Vocês não podem servir a Deus e ao Dinheiro (Mamon)”, disse Jesus. (Mt 6,24). O termo “servir” refere-se ao culto e o nome “Dinheiro” é sinônimo de “Mamon”, o ídolo. O povo de Deus, povo sacerdotal, ao mesmo tempo que no templo ou fora do templo, isto é, na vida prática, cultua o Senhor, deve ser uma clara denúncia da monstruosa idolatria que domina no mundo. Em l989, para preparar a conferência do Conselho Mundial de Igrejas sobre “Justiça, Paz e Defesa da Criação”, Ulrich Ducrow escrevia: “Quando vemos os mecanismos de um sistema econômico que, ano após ano, cria milhões de vítimas da fome e milhões de desempregados, quando vemos as florestas morrerem para permitir o lucro das empresas e vemos as superpotências continuarem a louca corrida armamentista, devemos admitir que estamos diante de um monstro demoníaco. De fato, os capítulos 13 a 18 do Apocalipse, com a sua descrição da Fera que sobe do abismo, são ainda a melhor descrição do atual sistema econômico, político e de seus meios de comunicação”. Pois bem, esta terrível idolatria tem seus “Templos”. Os bancos centrais superam em visibilidade arquitetônica qualquer catedral de qualquer parte do mundo. Eles são Templos. Têm seus sacerdotes, seu santo dos santos, seus sacrários de segurança máxima, acessíveis a poucos e onde guardam seu deus. Vamos nos contrapor a isso usando os mesmos critérios de grandiosidade e de poder ou seguiremos os caminhos da pequenez e do não-poder apontados por Jesus como força imbatível na construção do Reino de Deus?
Eram estas reflexões, Irmãos, que queria lhes comunicar, com simplicidade, na certeza de que podem surtir algum efeito prático. Do meu lado fico à disposição de vocês para qualquer reação a isto que não deixa de ser uma fraterna provocação.
Saúdo-os com fraterna amizade no Senhor Jesus, nosso Templo vivo.
Dom Tomás Balduino
Bispo emérito de Goiás dombalduino@cptnacional.org.br
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