segunda-feira, 15 de agosto de 2011

XXII CURSO DE INVERNO 2011






Aconteceu nos dias 23 a 26 de junho/2011 – feriado de Corpus Christi, o XII Curso de Inverno realizado pelo setor diálogo, equipe de animação de CEBs e apoio da paróquia N.S. Aparecida/Itabira e Diocese de Itabira Coronel Fabriciano. O tema proposto – “Desafios da evangelização em tempo de mudanças: Jesus e as Pastorais Sociais” (uma releitura do evangelho de Mateus).

No decorrer do curso houve os painéis de exposições com análise de conjuntura eclesial, assessoria de Pe. Benedito Ferraro, teólogo da arquidiocese de Campinas-SP, análise de conjuntura político-social, Vasconcelos Lagares, ecumenismo e diálogo interreligioso com participação de Pr. Cleber, presbiteriano e Pr. João Rafael, metodista. As abordagens realizadas nos dias de exposição foram exploradas principalmente do Evangelho de São Mateus(releitura), e também outros textos bíblicos:Lucas, João, Marcos, o livro; “caminhamos na estrada de Jesus” de Carlos Mesters, o livro de Deuteronômio, Documento de Aparecida, “Por uma reforma do estado com participação democrática”- Doc 91 da CNBB, tiveram contextualização com a realidade vivenciada pelos participantes, uma plateia heterogênea em termos de ideias, idades, vivências e caminhada eclesial. Número aproximado de participantes das três regionais em torno de 160 pessoas.
Destaque para participação de jovens e incentivo para que usem do senso crítico, utilizem a intimidade que têm com a internet, as mídias sociais no sentido de enfocarem as questões sociais e o compromisso da transformação social aliada a prática religiosa, que busquem parcerias com os adultos, os mais experientes na caminhada de Igreja e realizem ações conjuntas.


Destaque também para alguns padres que por lá passaram ou permaneceram durante as exposições a saber; Pe. Miguel(Xaveriano), Jean Marie(Monfortino), Pe. Martin(Monfortino), Pe. Joseph Matalanga(CICM), Pe. Ernesto Freitas(Diocesano) Pe. Richard Mbizi(CICM), Pe. Noel Balli(CICM),Pe. Daniel Orpilla(CICM), Pe. Eferson(Diocesano), Pe. José Geraldo(Diocesano), Pe. Carlos Jorge(Diocesano), Pe. Hideraldo Veríssimo(Diocesano), Pe. Manuel(Franciscano Capuchinho -Toca de Assis, não pertence a diocese e veio participar no curso), Dom Odilon(bispo diocesano), esteve na missa da quinta-feira a noite e na oração da manhã do sábado.
Momentos de grande significação foram os dedicados a espiritualidade, à mística, a presença do pastor Adilson, algumas mulheres, crianças e adolescentes da “comunidade Drummond” para contarem sobre a situação pela qual estão passando, a missa de Corpus Christi da quinta-feira, presidida pelo bispo e concelebrada pelos padres, a celebração ecumênica junto aos acampados em frente a prefeitura com participação de grande parte dos que se encontravam no curso de inverno, a homenagem que se prestou ao Pe. Almir, falecido em setembro de 2010 e que assessorava os cursos de inverno e principalmente, os encontros de CEBs Assinatura de uma moção de apoio contendo os nomes dos participantes do curso em apoio a greve dos profissionais de ensino de Ipatinga para ser encaminhada ao chefe do executivo municipal e ao governador. Assinatura de uma moção de repúdio ao executivo de Itabira e apoio aos acampados em frente a prefeitura para ser encaminhada ao prefeito e assinada pelos participantes do curso de inverno.


No decorrer dos dias de curso reações curiosas vindas dos assistentes e da assessoria entre citações, frases, impressões, ditos populares, etc:
“Infelizmente, a catequese que se pratica atualmente nas comunidades fez com que Jesus passasse a ser OBJETO não SUJEITO”. “Jesus não morreu num leito de hospital ou convalescendo de uma enfermidade numa cama em casa, ele morreu lutando e defendendo os oprimidos, pobres, os perseguidos pelo sistema. A morte de Jesus foi por implicações políticas, não foi pela religião.” “O quietismo pode ser uma faca de dois gumes”. “Os movimentos católicos criados ao longo dos anos e a RCC têm medo de aprofundar no estudo da Teologia da Libertação”. “A gente tem de reencantar a política” “O estado justo, a sociedade justa, são frutos da política”. “Política é como pau de galinheiro está sempre suja, ou a gente limpa, ou vamos ficar na titica a vida toda” “Quem está em cima do muro leva chumbo dos dois lados”. “Devemos ser como o recém nascido, não parar de chorar até que se consiga o alimento” “Atualmente é preciso atenção para não se incorrer no risco de tornar a solenidade de Corpus Christi meramente um momento de vaga adoração, um momento de idolatria”. Como sugestão para se ajudar em algumas reflexões a respeito do tema apresentado, foi citado filmes: “Lixo extraordinário”, “Nos caminhos de Juazeiro”(Verbo Filmes), “Oscar Romero” e também livros – “Jesus: uma aproximação histórica”(J.A.Pagola)” Documentário retratando na tela de cinema as várias faces de Jesus e sua vida ao longo dos tempos até os dias atuais.
Relato: Afonso Sec. Adm. CJPD




sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Revolução silenciosa ou comoção indecorosa, Itabiranos se mobilizam.


La pelas bandas do oriente, o clima nunca esteve tão conturbado como está agora. Quem deu os primeiros sinais de vigorosa rebeldia; foram os tunisianos seguidos dos egípcios, insatisfeitos com a situação social lastimável em que se encontravam sob o jugo ininterrupto de ditadores sem nenhuma sensibilidade, pelas carências sociais e políticas de seus comandados. Saíram às ruas, marcharam, gritaram palavras de ordem, expuseram às claras suas insatisfações e reivindicações. Todas convergiam para um só objetivo: uma nação sem o comando de tiranos há mais de 30 anos (Tunísia), 40 anos (Egito) no poder. Surpreendentemente deu certo, porque conseguiram a principio, depor quem lhes causava tantos tormentos, e agora, participam da transição.
Os feitos mostrados ao vivo pelos mais variados e sofisticados meios de comunicação existentes, correram o mundo em tempo real e logo, influenciaram outros povos nas regiões circunvizinhas; (Bahrein, Iêmen, Iraque, Irã), onde também a mão pesada de ditadores e monarcas árabes, não se abrem para o gesto da reconciliação e a distribuição equitativa do poder e das riquezas , mas se fecham em punho para punir e suprimir com requintada violência seus opositores, ou quem represente algum tipo de ameaça ao poder que exercem. Parece que essa onda de luta pela liberdade não tem mais controle e uma tsumani democrática, mais cedo ou mais tarde, se irromperá por todo o Oriente, ainda que muitos venham sucumbir sob o efeito devastador dos potentes armamentos: metralhadoras, rifles, tanques e caças.
Trazendo a cena revolucionária para nossa realidade que não se compara a deles, mas não deixa de ser inspiradora para uma forma bem aos moldes brasileiros pós caras pintadas, mais precisamente, quero citar o cenário mineiro de Itabira que apesar de sua tão manjada “passividade”, vem mostrando, ainda que timidamente, a tal revolução. É só olhar os veículos de comunicação impressos ou as redes sociais que sem a pecha “chapa branca”, ou sem terem pretensões político partidárias, têm feito muito bem para quem realmente se importa com o município e quer gozar de uma boa qualidade de vida.
Ao verificar tais veículos e tomar conhecimento do conteúdo, percebo que estão estimulando cada vez mais a discussão em torno de temas muito próximos do dia a dia do itabirano e que afetam direta ou indiretamente sua vida: transporte, lazer, saúde, educação, trânsito, habitação, meio ambiente, orçamento público, atuação legislativa, direito do consumidor, equipamentos históricos, pontos turísticos, etc. Isso é muito bom e demonstra o quanto é importante utilizar-se de informações quando estas ainda podem chegar ao conhecimento das pessoas com independência e isenção. Reportando ao início do texto fica para mim a impressão de que não temos ditadores e monarcas cristalizados no poder aqui nas terras Drummondianas ainda que muitos queiram e até pensem gozar dessa aberração; como precaução, é sempre bom conhecer a experiência alheia aprendendo com os acertos, e evitando cometer os mesmos erros. Certamente, queremos evitar que sucessivos erros venham a repetir. Aos que escolhem continuar ignorantes e passivos, mesmo quando poderiam se valer destas informações e correrem atrás de seus direitos é bom que possam ter em mente a máxima; “aprenda: costume mal pegado também se abranda.” Por outro lado, aos que se empenham em fornecer informações e provocar a revolução silenciosa e não são tantos a exemplo dos povos árabes, mas mesmo em pequena quantidade conseguem incomodar, resta a responsabilidade e o dever de continuarem nas fileiras do campo de guerra que se trava constantemente neste município, “oco do mundo”, em que desaparece quem de sabedoria for desprovido inteiramente.
(Afonso Claudio Damasceno - Secretário administrativo da Comissão Justiça e Paz da Diocese de Itabira Coronel Fabriciano)

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Urbanização à brasileira’ mostra intolerância à pobreza


Desigualdade, Urbanização


O ininterrupto crescimento da cidade de São Paulo, tanto econômico quanto físico, produz uma perversa desigualdade social. João Ferreira, arquiteto e economista, defende que transformar e tornar esse espaço mais igualitário passa por uma mudança de conduta individual, pressupondo um combate as atitudes que, mesmo de forma velada, reproduzem uma cultura da intolerância aos pobres. Para Ferreira, aquilo o que hoje é celebrado como modernidade é a causa do padrão urbano excludente. Padrão que não se restringe à cidade de São Paulo, que é apenas o caso mais evidente e que infelizmente serve de modelo para o resto do país. As conclusões estão contidas no artigo “São Paulo: cidade da intolerância, ou o urbanismo ‘à Brasileira‘”, publicado na revista Estudos Avançados (http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0103-40142011000100006&script=sci_arttext)
Intolerância que Ferreira define como resultado de uma sociedade em que predomina a indiferença. Ele explica: “a exclusão dos mais pobres produz uma lógica perversa em que as classes dominantes cultivam a sensação de que a cidade funciona sozinha, ignorando que é um contingente populacional importante e pobre que a move, mas que tem que desaparecer findo o serviço”. Não só indiferente, a cidade é também intolerante: “o desprezo, a desconsideração para com as condições de vida dos mais pobres e suas demandas são também motivados por políticas e ações bem determinadas, porém veladas. O que nos remete à sensação de uma espécie de apartheid”.
Políticas implementadas por um Estado que promove uma urbanização desigual, porque é ele quem define a disponibilidade dos chamados instrumentos urbanísticos. Seu papel seria o de garantir uma produção homogênea de infraestrutura pública, evitando, assim, a exclusão das parcelas populacionais de menor renda. No entanto, no Brasil, como explica o autor “confunde-se o público e o privado na defesa dos interesses das elites, e essa equação afetou dramaticamente o modelo da nossa urbanização”. Teria sido desenvolvida no Brasil uma situação de segregação socioespacial em que a população mais pobre, sem opção de moradia, foi se “exilar na periferia”.
Embora causada pelo Estado, a segregação seria legitimada pelas classes dominantes, que o coagem para que aja em benefício delas. Exerceria assim o que o autor chama de “racismo à brasileira”, ou seja, um racismo que existe mas não é confesso, e que não por isso faz menos vítimas. Essa intolerância à pobreza é revelada em várias ações, exemplifica Ferreira, como no caso de empreendedores de um condomínio de luxo que, incomodados com a vista para uma favela, acharam por bem ‘estimular’ a saída dos indesejados vizinhos pagando-lhes R$ 40 mil por família. E também uma política da prefeitura de São Paulo que se encarrega da ação de ‘limpeza’, oferecendo o ‘cheque de despejo’, R$ 1,5 mil para sair de suas casas, e R$ 5 mil se a família fizer a ‘gentileza’ de voltar ao seu estado de origem.
O Estado, além de não desenvolver políticas habitacionais que beneficie os mais pobres, acaba por impedi-los de viver em bairros mais ricos. Isso faria sentido pelo Estado ser patrimonialista, legitimado pelas classes mais abastadas, e em que o direito à propriedade está acima do direito à moradia. Uma realidade perversa em que a desigualdade não ocorre por falta de leis, mas pelo contrário, é legitimada por elas.
Ferreira aponta caminhos para reverter essa desigualdade, pois desde a redemocratização do país os governos comprometidos com as demandas populares propuseram uma “reforma urbana”, conseguindo pelo menos inserir essa problemática na agenda política. Um exemplo teria sido a criação do Ministério das Cidades e do Fundo Nacional de Habitação de Interesse Social – embora até hoje não tenham tido quase nenhuma efetividade. Essa dificuldade em transformar essas propostas em verdadeiras ações ocorreria, segundo explica Ferreira, porque “uma das razões desse impasse está na dificuldade de transformação do próprio Estado e, em maior escala, do sistema e das práticas políticas que o legitimam. Uma máquina aperfeiçoada durante séculos para dificultar qualquer tentativa de transformação da lógica de produção do espaço urbano desigual não facilita a vida daqueles que participam de gestões com intervenções verdadeiramente públicas”.
Por Isabela Palhares, da ComCiência, Revista Eletrônica de Jornalismo Científico, LABJOR/SBPC.
EcoDebate, 11/08/2011